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O Recife Digital
29.03.2017
O Recife Digital

Rosário de Pompéia,
diretora de Operações da Le Fil

Se você é recifense, é provável que ontem tenha ouvido alguma coisa sobre o Colégio Santa Maria, que fica no Recife. Você pode até não ter sido alcançado nas suas redes sociais ou nos seus grupos privados, mas alguém perto deve ter comentado. Não? Ok! Mas você, na semana passada, foi impactado pela informação de uma blogueira de moda que pode ser presa por declarações absurdas em relação a uma criança com Down. E você soube de uma “crise” que a Casa dos Frios também passou recentemente? Sim, de alguma forma, você ficou sabendo desses fatos. 

Há quem diga que estamos vivenciando crises digitais no Recife quase que diariamente. Mas é exatamente isso que queria conversar com você. Essa é a materialização da importância que damos às informações locais. Ou seja, hiperlocal. Com a internet e as redes sociais, e a expansão do termo globalização, muita gente achava que a vontade de saber do local iria se perder ou se diluir nas notícias nacionais. Que aquela cena de colocar as cadeiras nas calçadas para comentar os fatos do dia, da rua, da comunidade, com a vizinhança, poderia ter fim. Ela só mudou de cenário e se ampliou. 

Mudam os meios, mas não o interesse pelo local. E a tendência é que iremos ver mais debates regionais, para movimentar causas e expor situações que acabam ganhando tanta relevância, que se tornam notícias nos jornais. Assim, aprendemos que temos poder de mobilizar, ganhar visibilidade.

Outro ponto interessante sobre ontem é: a quantidade de informação local que você tá recebendo via grupos está maior do que a quantidade nas redes sociais? Os depoimentos sobre determinados assuntos não estão mais ricos no seu WhatsApp? Só ontem fiz questão de mensurar para sentir o efeito do Dark Social (social via grupos privados). Na minha experiência não teve comparação. As notícias sobre o Colégio Santa Maria no meu WhatsApp superaram as da minha timeline no Facebook.

E esses grupos não foram só de mães, mas de amigos, profissionais etc.  Ou seja, o assunto não é mais delimitado, necessariamente, por temas ou geografia. Esta época pede novas formas de organizar conversas. A hiperlocalização não é necessariamente geográfica ou temática. Isso chama atenção devido a um comentário de uma pessoa espantada dizendo que não entendia por que pessoas que não eram moradoras de Boa Viagem nem frequentavam o colégio emitiam opinião. Falar sobre um acontecimento de um bairro não está restrito a morar nele, principalmente, porque, no Recife, a disputa é mais zona norte e zona sul. 

Os valores das pessoas ou a sua visão de mundo criam “grupos específicos”. Essas crises servem para externar sentimentos coesos dentro de uma comunidade (Recife) e sentimentos, que podem dividir, até uma cidade (Recife). No caso da blogueira, havia uma rejeição total à sua postura.  Era um apoio total para mobilizar a internet para o caso ganhar repercussão. No caso do Colégio, se observou duas opiniões: a favor ou contra. O que mostra, no Recife, dois pensamentos consolidados quando o assunto é escolher as escolas dos seus filhos e que valores se encaixam na sua visão de mundo, sem discutir aqui certo ou errado. 

Em resumo, estamos vivendo diversas crises ou estamos, como recifenses, cada vez mais opinando sobre os assuntos que dizem respeito à nossa localidade? E, todo dia, estamos construindo, de forma colaborativa, as “manchetes” locais?  Que essa nossa atenção ao local cresça e tragam boas mobilizações que provoquem mudanças na nossa comunidade local exercendo uma cidadania hiperlocalizada.

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